Isolamento social, recomendado pela OMS, tem sido praticado em diversos países, a fim de conter a propagação do vírus 

Por Rosângela Porto
 

O ano de 2020 trouxe com ele o que o Ministério da Saúde estima ser a maior pandemia do século: o novo coronavírus. Registrado primeiramente na China, em dezembro de 2019, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez o primeiro alerta, o vírus foi disseminado por todo o país e, com muita rapidez, atingiu vários outros países. Atualmente, o novo coronavírus já atingiu os cinco continentes do mundo. No Brasil, conforme divulgação das secretarias estaduais de Saúde, até as 19h00 desta segunda-feira (06), 12.161 pessoas testaram positivo para o coronavírus, com 564 mortes.         

O novo coronavírus é uma família de vírus responsáveis por causar infecções respiratórias. Dessa forma, ele afeta, especialmente, o sistema respiratório, podendo levar a quadros graves de pneumonia e insuficiência respiratória. Entretanto, é importante lembrar que outros órgãos e sistemas do corpo humano também podem ser acometidos, de forma mais leve.

De acordo com a médica infectologista, Dra. Luciana Duarte, a maioria das pessoas que testaram positivo para a COVID-19 (doença causada pelo vírus) “apresentam quadros brandos, com sintomas leves de febre, tosse, fadiga, dor no corpo, sendo que alguns pacientes são assintomáticos”. Mas a maior preocupação diz respeito aos idosos e pacientes portadores de doenças crônicas, que podem apresentar sintomas respiratórios mais graves, como insuficiência respiratória, podendo levar a óbito.  

Transmissão

O novo coronavírus é transmitido através de gotículas respiratórias que são produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra próximo a outra pessoa. Além disso, o contágio pode ocorrer por contato, ao se tocar superfícies contaminadas e levar as mãos à boca, olhos e nariz.

Cabe ressaltar que o indivíduo diagnosticado com o novo coronavírus pode ser vetor da doença, com a possibilidade, portanto, de transmiti-la ainda durante o período de incubação. “Os estudos, até o momento, têm mostrado que a COVID-19 pode, sim, ser transmitida nesse período, o que torna a situação ainda mais preocupante”, afirma a infectologista Luciana Duarte. 

Prevenção

As principais medidas preventivas reúnem hábitos frequentes, como lavar bem as mãos, usar álcool em gel, evitar o contato com os olhos, nariz e boca. Além disso, o isolamento social, prática recomendada pela OMS, deve ser seguida à risca. Conforme explica a médica infectologista, “atualmente, o isolamento social se tornou um dos pilares na tentativa de evitar um rápido pico da doença, sobrecarga nos sistemas de saúde e óbitos”. No Estado de Goiás, por exemplo, o governador Ronaldo Caiado mantém o decreto de paralisação das aulas, a priori, até 04 de abril, e dos estabelecimentos comerciais com serviços que não são essenciais à vida, como shoppings, centros de estética e outros. Após esse período, será feito um escalonamento, ou seja, as liberações de funcionamento serão permitidas gradativamente, a fim de se evitar aglomerações e aumentar o risco de contágio. Cabe lembrar que o isolamento social tem sido adotado também em diversos outros países, na tentativa de conter a disseminação do vírus.

Tratamento

O tratamento da COVID-19 é essencialmente de suporte. Isso quer dizer que os médicos têm adotado medidas que abrandam a sintomatologia e controlem as manifestações clínicas do vírus. É importante salientar que diversos medicamentos têm sido estudados no mundo todo. Entretanto, até o momento, não se tem a cura da doença, mas, sim, tem-se registros de medicamentos que se mostraram promissores em casos graves, contudo, sem fortes evidências científicas.     

De acordo com o Ministério da Saúde, o grupo de risco abrange pessoas acima dos 60 anos e pacientes com doenças crônicas, como as cardiovasculares, diabetes, entre outras. Em relação aos casos de cura dos pacientes, os valores que se tem, atualmente, pela experiência do mundo são semelhantes. Entretanto, variam conforme o local, a qualidade da assistência à saúde, o número de indivíduos testados e vigilância epidemiológica. “Ainda é cedo para números fidedignos. Pacientes jovens e saudáveis têm baixa taxa de letalidade, cerca de 0,5%, sendo que esse número aumenta com a idade e as comorbidades do paciente, podendo chegar a 15 em pacientes acima de 80 anos”, afirma Luciana Duarte. 

Devemos nos atentar, portanto, para o comportamento da doença em todo o mundo e, especialmente, no Brasil. Conforme publicação do diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, nas redes sociais, “a pandemia da COVID-19 está se acelerando a uma taxa exponencial. Sem ação agressiva em todos os países, milhões poderão morrer”. 

Nesse sentido, cabe ressaltar que é preciso seguir, rigorosamente, todas as recomendações dos órgãos da Saúde. “Todos precisam se conscientizar da necessidade de seguirem à risca as recomendações dos órgãos governamentais e de saúde, na tentativa de que nosso sistema de saúde não entre em colapso e muitas vidas sejam perdidas por faltas de leitos e assistência, sejam pela COVID-19, sejam pelas outras doenças que não deixamos de ter”, pontua a infectologista Luciana Duarte.